O presidente Jair Bolsonaro anunciou a intenção de antecipar para 2050 a meta de zerar a emissão de gases poluentes, atingindo a chamada neutralidade climática, inicialmente prevista para 2060. O compromisso foi anunciado durante discurso do presidente na Cúpula do Clima, comandada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Bolsonaro procurou fazer um pronunciamento mais conciliador, citando números favoráveis do país nos últimos 15 anos, incluindo dados dos governos Lula, Dilma e Temer.
“Coincidimos, senhor presidente [Biden], com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em dez anos a sinalização anterior. Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”, afirmou.
Bolsonaro pediu mais recursos para viabilizar o combate da destruição florestal e proteger o meio ambiente. “O Brasil não apenas se destaca pelas ações do Brasil, mas está na vanguarda no combate à mudança do clima, tanto por nossas conquistas, quanto pelos compromissos que estamos dispostos a assumir”, disse.
O discurso do presidente contraria os números crescentes de desmatamento na Amazônia e o corte de recursos na fiscalização das ações ambientais. “Como detentor da maior biodiversidade do planeta, e potencia agroambiental, o Brasil está na vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global. Ao discutirmos mudanças no clima, não podemos esquecer a causa maior do problema: a queima de combustíveis fósseis ao longo dos últimos dois séculos. O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeitos estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais.”

