Quando a busca por likes no Instagram atua mais rápido do que o raciocínio, o efeito colateral normalmente é grande. Um cena ocorrida na cidade baiana de Casa Nova, que viralizou na internet e foi noticiada em quase toda imprensa baiana, é o exemplo de que político que não investe em assessoria qualificada pode se dar mal. No município em questão, a prefeitura juntamente com a Fundação Luis Eduardo Magalhães (FLEM) fizeram a maior cena para inaugurar um tipo de sanitário químico. Aglomeraram, juntaram prefeito, vereadores, deputado, representantes do Estado, assessores, “puxa-saco” e organizaram um ato cerimonial para inaugurar o banheiro. Na verdade, um módulo sanitário, conforme eles anunciaram.
O mico causado não é pelo aparelho em si, até porque existem milhões de brasileiros que não têm onde fazer suas necessidades fisiológicas. A elite não faz ideia do sofrimento do povo do semiárido baiano. E a iniciativa vai melhorar a vida de 24 famílias locais.
Mas a cena foi patética. Digna do personagem Odorico Paraguaçu, o cômico prefeito da novela O Bem Amado, que fez de tudo para inaugurar um cemitério, que depois de pronto ninguém mais morreu. Por sorte, Casa Nova não é Sucupira.
Eles colocaram a ânsia pelo clique à frente do próprio serviço que estavam a inaugurar. Um monte de gente na claquete desatando uma fita de cetim vermelha, até que uma pessoa abre a porta do aparelho para que todos adentrem às dependências do banheiro químico. Quer dizer, do módulo sanitário. Não é possível que não houvesse ali presente um assessor de imprensa em sã consciência para impedir o vexame e dizer: “Véi, isso vai dar merd…”. Realmente deu, literalmente.
Depois de toda meleira, até que fizeram uma nota mostrando realmente a importância desses módulos sanitários, que têm tecnologia alemã, são sustentáveis e podem ser uma alternativa para muitas cidades do semiárido. Política pública da FLEM que tem importância.
Mas a bagunça já estava feita e o vexame acabou tendo impacto maior do que relevância do investimento. O episódio será usado como exemplo de como (não) fazer em assessoria de imprensa.
Veja no vídeo abaixo

