O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenta nos bastidores selar um acordo para lançar o senador Tasso Jereissati (CE) como candidato à Presidência da República em 2022. A ideia é convencer João Doria e Eduardo Leite a tentarem se reeleger em São Paulo e Rio Grande do Sul, respectivamente.
A longo prazo, garantir a reeleição nos dois estados é fundamental para o partido, enquanto que a candidatura de Tasso Jereissati recolocaria a sigla no centro do espectro político, após nos últimos anos ter se aproximado da direita.
Tasso é visto como um nome moderado e experiente o suficiente para tentar concorrer como a terceira via no processo eleitoral que deve ser polarizado entre Lula e Bolsonaro.
Na visão de FHC, apesar de ter sido peça fundamental na vacinação no Brasil, com a aposta na CoronaVac, Doria tem muita resistência entre os que tendem a apoiar Bolsonaro, principalmente pela tensão criada com as medidas restritivas e os ataques coordenados pelo Planalto.
O ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, também coloca o seu nome para representar a sigla, mas o ex-presidente acredita que Tasso tem muito mais força nacionalmente e costuma adotar um tom conciliador.
O fato do senador ter feito oposição a Michel Temer e Bolsonaro, por exemplo, o colocam em melhores condições de atrair eleitores mais progressistas do que Doria e Leite.
Em um eventual segundo turno, FHC já sinalizou que se o PSDB estiver de fora ele facilmente apoiaria Lula contra Bolsonaro. O petista disse que faria o mesmo.
Este aceno, segundo o colunista Kennedy Alencar, do UOL, mostra que o ex-presidente, que nos últimos anos flertou com a Lava Jato e chegou a defender a candidatura de Luciano Huck, quer voltar a valorizar a classe política e defender um programa de centro.
