O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Brasília na última segunda-feira (4). Na capital, Lula reúne-se com aliados e amplia conversas com partidos de centro. Sob reserva, companheiros que o acompanham nas reuniões afirmaram ao Congresso em Foco que o ex-presidente possui uma fala forte sobre a sua campanha à presidência em 2022.
Além de definir novas estratégias para o processo eleitoral, Lula intensifica agenda para melhor orientar os petistas no Congresso e, assim, abrir espaço para novas alianças.
Em encontro a portas fechadas, o líder petista já se reuniu com nomes de partidos de esquerda e centro na segunda e na terça. Entre eles, Pros, PSB, PCdoB, PSDB, Rede e Psol. Do centrão, os nomes e partidos não estão sendo divulgados. Segundo a assessoria, como forma de evitar conflitos dos parlamentares com Bolsonaro.
Um dos líderes destacou que Lula reforça a importância de tentar mudar a imagem que o partido carrega de corrupção e que também o persegue desde que saiu do poder. “O debate é para mostrar a injustiça cometida contra o Lula, mudar o discurso de roubo do PT e intensificar o debate com a sociedade”, disse o líder, que pediu para não ser identificado.
Outro objetivo é consolidar uma base de sustentação no parlamento e organizar a casa para a volta do ex-presidente ao Palácio do Planalto. “É fundamental ter uma base de sustentação no parlamento forte e isso deve acompanhar as votações majoritárias. Hoje, temos um parlamento que vota apenas os projetos de Bolsonaro. É fundamental o partido se organizar junto com outros de esquerda. Queremos casar uma boa construção para ele. O PT está fazendo isso, procurando articulação para palanques bons nos estados”, afirmou a mesma fonte.
Outro projeto do PT é aumentar alianças dentro do Senado. O partido tentará consolidar uma base forte na Casa, após o racha no último processo eleitoral. Entre os nomes que o ex-presidente quer ver no Senado estão quatro governadores: Wellington Dias (PT), do Piauí; Camilo Santana (PT), do Ceará, Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco; e Flávio Dino (PSB), do Maranhão. De olho na Casa em 2022, Lula também deverá se encontrar com o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG), mas ainda não há data prevista na agenda. Pacheco é pré-candidato ao Planalto. Tem convite do PSD para se filiar, mas ainda aguarda a fusão entre PSL e DEM, que discutem a apresentação de seu nome como candidato à Presidência da República.
O petista também trabalha uma estratégia para vencer a disputa eleitoral ainda no primeiro turno. As últimas pesquisas eleitorais mostram uma vantagem do ex-presidente sobre Jair Bolsonaro de 21 pontos percentuais no primeiro turno. Em um eventual segundo turno, Lula vence o atual presidente com 55% contra 30%, segundo pesquisas mais recentes.
Na tarde desta terça (5), ao lado da presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, e de integrantes da bancada petista na Câmara, Lula se reuniu com o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, e com os deputados Marcelo Freixo e Alessandro Molon, ambos do PSB fluminense.
Na quarta-feira (6), o líder petista encontra-se com a cúpula do MDB. Em um jantar promovido pelo ex-senador Enuncio Oliveira (CE), também estarão presentes o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) e o ex-presidente José Sarney, entre outras velhas lideranças do partido, que, a despeito de terem apoiado o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, ainda gozam da relação com o líder petista.
A agenda de Lula em Brasília conta com mais reuniões políticas. Nesta quinta-feira, ele visitará uma associação de catadores de material reciclável e lixo. Na sexta, concederá uma coletiva à imprensa.

