Por Gusmão Neto
Familiares e amigos da menina Beatriz Angélica Mota, que foi morta aos 07 anos de idade com mais de 40 facadas em Petrolina em 2015, iniciaram neste domingo (05) uma peregrinação de mais de 700 KM para pedir justiça no caso que chocou o país e até hoje não há nenhum desfecho.
Baiana de Juazeiro, Lucinha Mota, mãe da garota, saiu na madrugada deste domingo de Petrolina, ao lado de familiares e amigos, em direção ao município de Recife para chamar a atenção da sociedade e implorar que as autoridades pernambucanas identifiquem os autores do crime brutal, que completou mais de 6 anos.
Até hoje a polícia não sabe os autores, a motivação, nem qualquer pista do crime. Nesta caminhada, Lucinha pede Justiça por Beatriz, pelo fim da violência, pelo fim da impunidade e por uma cultura de paz.
“Caminhe por justiça, pela paz. Caminhamos pela segurança pública do nosso país. Precisamos acabar com esse alto índice de criminalidade. Estão acabando com a vida dos nossos filhos. E o Estado está inerte na solução desses crimes tão bárbaros. Vamos cultivar a cultura da paz. Compartilhe nas suas redes sociais esse gesto de amor por Beatriz e por todas as nossas crianças do nosso país”, diz Lucinha na saída da caminhada, em vídeo que o Teia de Notícias teve acesso.
Entenda o caso
Era para ser um dia de festa em um dos mais tradicionais colégios particulares de Petrolina – PE. Mas foi o palco de um crime brutal que chocou o país e até hoje intriga a população porque a polícia nunca encontrou pistas sobre o ocorrido.
Beatriz Angélica foi assassinada com 42 facadas dentro do colégio católico Maria Auxiliadora. O crime ocorreu dentro da quadra onde acontecia a solenidade de formatura das turmas do terceiro ano. A irmã da menina era uma das formandas. O pai das meninas, Sandro, era professor de inglês da instituição.
Horas antes de Beatriz desaparecer, a mãe Lucinha pede a palavra para uma homenagem à filha mais velha que se formava no ensino médio.
Depois, Beatriz se afasta para beber água. E desaparece. Trinta minutos após o desaparecimento de Beatriz, o pai da menina interrompeu a apresentação de uma banda e subiu no palco do evento para chamar por ela no microfone. “Beatriz, ô minha filha, onde é que você está? Ô Bia. Está todo mundo procurando por você”.
Beatriz Angélica foi encontrada sem vida às 22h50, quarenta e dois minutos depois de desaparecer. O corpo da menina estava em uma sala desativada, usada para guardar material esportivo, bem próximo da quadra onde acontecia a festa de formatura. O corpo apresentava ferimentos de faca no tórax, membros superiores e inferiores. Não havia marcas de violência sexual nem de asfixia.
A polícia diz que o crime não aconteceu onde o corpo foi encontrado. “O local onde o corpo de Beatriz foi encontrado não apresentava vestígios de que o crime ocorreu ali. Não havia fuligem no corpo da criança, o que aponta que ela não entrou no local andando ou arrastada”, disse um delegado em 2016.
Duas hipóteses foram levantadas sobre o motivo do crime, a primeira sendo um tipo de vingança para a família da garota e a segunda sobre um possível ritual de magia negra — o que foi descartado posteriormente.
O pai de Beatriz disse em outubro de 2019 que um investigador particular contratado pela família afirmou que agentes da polícia estariam atrapalhando as investigações.
Diante de tudo, cinco informações são importantes, conforme divulgado pelo Pragmatismo Político:
1- Um homem de camisa verde havia abordado outra criança na área do bebedouro antes de Beatriz. No entanto, a criança, assustada, se afastou. Outras pessoas também chegaram a ver o suspeito.
2- Um molho com 3 chaves havia sumido 10 dias antes do crime, chaves que davam acesso a todas as rotas de entrada e saída do colégio.
3- Há imagens de uma câmera de segurança que ficava a cerca de 50m do local onde o corpo foi encontrado, mas elas estão comprometidas.
4- A polícia conseguiu encontrar traços de DNA e uma digital no cabo da faca usada no crime.
5- O local exato da morte nunca foi descoberto.

