Nove obras estão abandonadas na UFBA; desperdício de R$ 54,6 milhões

23/04/2025 - 8:27
Foto: Marina Silva/Correio*

Matéria do Correio*, assinada pela repórter Larissa Almeida, denuncia que a Universidade Federal da Bahia (Ufba) tem nove obras paralisadas que se encontram em situação de abandono. Algumas delas, como é o caso da construção do prédio do Instituto de Ciências da Informação (ICI), se tornaram edificações fantasmas e condenadas. Outras, como o erguimento do complexo do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências, somam 15 anos de inatividade. Juntas, todas elas representam um investimento de R$ 54,6 milhões – dos quais R$ 36,1 milhões já foram gastos, sem que nenhuma obra tenha sido entregue.

Entre as obras paralisadas e inacabadas, a Ufba listou as seguintes: construção da biblioteca Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, construção do Anexo do Instituto de Física e do Instituto de Química, construção do Edifício Sede da Escola de Música, construção do complexo do Ihac, reforma e ampliação da Escola de Medicina Veterinária, reforma da Faculdade de Odontologia para instalação do Laboratório de Prótese, construção do prédio Anexo da Politécnica, construção da sede do Instituto de Ciência da Informação e reforma da fachada da Faculdade de Odontologia.

As motivações para a paralisação são diversas. No caso da obra de construção da sede do Instituto de Ciência da Informação, que foi licitada em 2012, a Ufba apontou embargos judiciais como impeditivo para continuação do projeto. Em 2018, uma reportagem do CORREIO obteve um relatório do Ministério de Educação (MEC), que apontava a obra como a de maior problema, uma vez que as empresas executoras descumpriram o contrato.

A comunicadora Ana Pedreira passou sete anos na Ufba, tendo feito graduação e mestrado, além de ter enfrentado um semestre atípico por conta da pandemia e uma greve. Nesse tempo todo, ela conta que sempre passou pelo esqueleto do Instituto de Ciência da Informação sem ver nenhum vestígio de movimento de profissionais do ramo da construção civil e engenharia.

“O que parecia, logo no início, é que eram obras acontecendo e isso despertou minha curiosidade. Eu pensava sobre o que seriam esses prédios e o que eles teriam. Ficamos com uma certa curiosidade e empolgação. Depois, ao longo dos anos, percebemos que não eram obras em andamento. Eram obras abandonadas, não havia uma movimentação de construção ou funcionários”, conta Ana.

A obra do prédio anexo à Escola Politécnica tem uma história parecida. Com uma licitação no valor de R$ 4,5 milhões, formalizada em 2010, a construção só teve a primeira etapa concluída até então. Um estudo feito por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Ufba (Faufba), vinculados ao Laboratório de Práticas em BIM (LaBIM/Ufba), constataram uma série de deteriorações na edificação, em 2023.

Os estudantes documentaram 66 ocorrências, contendo um total de 200 manifestações patológicas. As mais comuns indicavam corrosão e exposição de armaduras, fissuração e manchas de umidade, que demandavam inspeção emergencial e intervenção imediata, uma vez que o grau de dano foi considerado crítico.

As obras no prédio anexo à Politécnica foram retomadas parcialmente em 2023 e estudantes relataram à reportagem uma movimentação de profissionais do ramo construtor durante o ano de 2024, mas apenas para reforçar a estrutura, ou seja, sem que novos avanços tenham sido feitos. A Ufba indicou, por meio de documento, que há previsão de outra licitação para 2026.

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