Vala comum para escravizados: pesquisadores identificam cemitério que pode ter 100 mil corpos de negros e pessoas à margem

15/05/2025 - 8:58

Do Correio*

As buscas arqueológicas iniciadas na última quarta-feira (14), no estacionamento da Santa Casa Bahia, onde é possível que tenham sido enterrados os corpos de aproximadamente 100 mil escravizados, pobres, suicidas e outras pessoas à margem da sociedade de Salvador, pode revelar o maior cemitério de escravizados da América Latina caso os restos mortais sejam encontrados.

De acordo com a pesquisadora Silvana Oliveiri, que é responsável pela identificação do cemitério no terreno pertencente à Santa Casa de Misericórdia da Bahia, estudos preliminares indicam a possibilidade de que 80 mil a 150 mil corpos tenham sido enterrados no local. Nos próximos dez dias, a pesquisadora e a equipe arqueológica pretendem encontrar pelo menos uma parte da ossada.

A arqueóloga Jeanne Almeida afirma que, conforme estudos realizados, o cemitério deve ser o maior da América Latina e o mais antigo do Brasil, uma vez que foi construído no século 18. O trabalho para comprovar ou descartar essa tese vai contar com uma operação que atuará de segunda a sábado.

“A partir de agora, vamos trabalhar até conseguir localizar os indivíduos que estamos buscando. Já escolhemos locais pontuais de acordo com a maior potencialidade arqueológica e são neles que vamos fazer as intervenções”, disse.

Na manhã desta quarta, líderes religiosos, pesquisadores e autoridades governamentais se reuniram para fazer um ato em memória das pessoas que possivelmente estão enterradas no estacionamento da Santa Casa Bahia. A promotora de Justiça Lívia Sant’Anna Vaz, representando o Ministério Público da Bahia (MP-BA), destacou a importância da iniciativa.

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