Por Manoel Calazans
@manoelcalazans
Em maio, especificamente no dia 20, é o dia do Pedagogo, o profissional preparado pelas Universidades e Centros de Ensino Superior para a docência na Educação Infantil, primeiras séries do Ensino Fundamental e que atuam com a gestão escolar, coordenação e até funções nas áreas de recursos humanos e recrutamento de pessoal. Eu particularmente acho que o dia do pedagogo deveria ser comemorado no dia do professor em 15 de outubro, mas tal debate pouco importa para o foco do nosso diálogo.
Quem tem filho, sobrinho ou convive com crianças, vira e mexe se depara com os pequenos brincando de ser professor ou professora. Formam as turminhas, usam o azulejos e paredes como quadro branco, imitam a voz imperativa dos professores: “ façam silencio”, “escrevam direito”, e simulam o tempo todo a figura fascinante das professoras e professores. No meio da mistura de admiração, do brincar e das representações psíquicas, tão fortes na infância, tem sempre um adulto que joga água no brinquedo e diz: “ quer morrer de fome? Professor não ganha dinheiro. E pasmem, as vezes quem faz o corte também é um ou uma professora, que não quer que o filho tenha “o mesmo fim de Policarpo Quaresma”.
Parece exagero, mas de verdade, o que narrei no parágrafo anterior, é o embrião do fracasso da carreira docente no Brasil. O Magistério que é tão fascinante não goza de nenhum prestígio social e muitas vezes é desencorajado nos mais jovens, levando para a carreira docente os poucos que insistem mesmo com tanto apelo social para a desistência, ou os desiludidos em outras carreiras que acabam desembarcando na carreira de professor por acaso e sem nenhuma admiração pelo ofício da licenciatura.
Evidente que não estamos discorrendo sobre um magistério vocacionado, talento nato, sacerdócio ou dom divino, embora tais fenômenos possam acontecer. Queremos invocar o valor da carreira, a qualidade da formação e dos cursos de licenciatura no Brasil, e acima de tudo, o reconhecimento da figura dos educadores e sua função na coletividade. É sobre status social, remuneração, condições de trabalho. Como afirmamos no início de nossa conversa, as crianças insistem em ser professores e nós descontruímos sem nenhum pudor ou senso crítico.
Ouvimos sempre que no Japão a única categoria que não precisa se curvar diante do Imperador é a categoria dos professores. Não sei se é lenda ou verdade mesmo, mas ficaríamos muito satisfeitos se aqui nos curvássemos para a relevância que os professores e professoras têm para a construção de um Brasil que não se rebaixa para nenhuma outra nação como subservientes serviçais. Afinal, Educação emancipa.
No mais, parabéns aos pedagogos e pedagogas. Recordemos Paulo Freire com a sempre viva afirmativa de que “professora não é tia”. Professores são essenciais, imprescindíveis e profissionais quem evocam um futuro melhor. Salve!
*Manoel Calazans é Mestre em Políticas Sociais e Cidadania, Pedagogo, especialista em Gestão Escolar, atualmente superintendente de Planejamento da Rede Pública Estadual da Bahia.


