Por Gusmão Neto
Considerado um político discreto, o deputado federal Félix Mendonça Júnior, presidente do PDT na Bahia, teve a sua paciência colocada em xeque nos últimos dias com a discussão sobre o fim, ou continuidade, do ciclo do seu partido na base do governo Rui Costa. Como em 2020 a sigla oficializou apoio a Bruno Reis (DEM) seria natural o seu afastamento da ala petista e consequentemente a perda dos espaços na máquina estadual.
Com o assunto à tona, alguns deputados estaduais do partido começaram a espernear para não perderem seus espaços e iniciaram uma enxurrada de ataques às escondidas contra a direção do PDT. Não foram poucas as notícias plantadas dizendo que o presidente estadual do partido estava isolado e que a decisão de apoiar Bruno Reis foi exclusiva de Félix. Mas não precisaria ir muito longe para lembrar que esses mesmos deputados estaduais mantiveram um pé lá e outro cá.
Mesmo diante de tantas declarações e plantações, Félix Mendonça conseguiu manter-se plantado e jamais fora visto devolvendo na mesma moeda. Não deu uma declaração contra Rui, nem nunca foi a público revelar o tamanho – que não é pequeno – do envolvimento dos deputados estaduais ditos governistas junto à estrutura da campanha de Bruno. Alguns possuem cotinhas até hoje, na prefeitura, na Câmara de Vereadores e em espaços da Alba.
Hoje o PDT na Bahia vai precisar se reestruturar. A expectativa é que os três deputados estaduais (Roberto Carlos, Samuel Júnior e Euclides), além do federal Alex Santana – esse eleito porque fora arrastado pela legenda – deixem o partido, restando apenas o próprio Félix Jr e Léo Prates deputado estadual licenciado e secretário de Saúde de Salvador.
Em conversa com o Teia de Notícias, Félix admitiu que já espera a saída do quarteto. “Com a declaração dos deputados do partido, considero que apenas o deputado Léo Prates permaneça. E este já disse que partirá para buscar uma vaga de deputado federal”, disse.
E mesmo que o partido tenha perdido o comando da Secretaria Estadual da Agricultura e da Junta Comercial da Bahia (Juceb), Félix Júnior garantiu que não vai pleitear nenhum espaço a mais no governo de Bruno Reis como forma de compensação. “Espaço não é nossa barganha. Espaço ocupamos se formos convidados. O que queremos mesmo é ter uma nominata boa para federal e estadual e conversar sobre a majoritária”, declarou Felinho, acrescentando que a meta do partido é eleger três federais e cinco estaduais.
