IsabelaSousa
Por Isabela Sousa

Não merecemos essa Bahia do pódio da violência

16/06/2021 - 16:06

Por Isabela Sousa

Há alguns anos acompanhamos noticiários que mostram a Bahia num triste pódio da violência por possuir a maior quantidade de mortes violentas do Brasil. E esse é o reflexo de políticas do Governo do Estado, sobretudo da política de segurança pública, que se mostram cada vez mais ineficientes. Os dados estatísticos, além de expor um cenário de muita insegurança para baianos e visitantes, revelam que essa violência tem cor e classe ao atingir pessoas negras e pobres em maior proporção.

Infelizmente não é incomum nos depararmos, quase que diariamente, com algum trágico caso de violência que faz uma nova vítima na Bahia. Seja em operações policiais ou em conflitos decorrentes de questões estruturais que vulnerabilizam parte da população, os sentenciando à morte por ação ou omissão do Estado. Afinal, só chegamos a este caos devido a vários outros fatores de precariedade social. Não dá para apontar o dedo para uma única causa. É um conjunto de ações institucionais equivocadas e problemas estruturais históricos que acabam por ser provedores destes tristes índices de violência.

Entretanto, apesar dos problemas estruturais, o que tem sido construído até o momento em questões de políticas a nível estadual para reduzir esses casos brutais de violência não tem sido eficaz, ao menos é o que as pesquisas têm mostrado. Vejam que, no levantamento divulgado este ano pelo índice nacional de homicídios criado pelo G1 é possível identificar que a Bahia foi o estado brasileiro que registrou o maior número absoluto de mortes violentas (homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) em 2020. Ao todo foram 5.276 mortes violentas só no ano passado.

Já em um outro levantamento anual, que verifica a cor de pessoas assassinadas na Bahia em operações policiais de 2019, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, é apontado que 96,9% das vítimas eram pessoas negras. Situação que expõe o quanto, muito provavelmente, essas políticas de segurança estão voltadas para uma produção de morte e estigmatização da população negra. Acredito que, muito dessas operações fatais, é fruto de uma ineficaz política de guerras às drogas que tem como alvo principal às periferias das cidades baianas. Política de guerra essa que nem de longe soluciona o problema do tráfico de drogas e ainda gera milhares de mortes anualmente.

Nós, enquanto sociedade que acredita num mundo melhor, precisamos nos debruçar sobre esse inadequado conjunto de ações políticas que têm colocado a Bahia no pódio da morte. As pesquisas e dados expostos anteriormente nos dizem claramente que não estamos no caminho correto para construção de uma Bahia que traga segurança, dignidade e preserve vidas. O momento pede um debate sério com especialistas, pesquisadores e agentes sociais que estudam esse tema para formularmos novas alternativas de segurança que nos tire dessa triste realidade.

Ou buscamos o caminho da reformulação desse modus operandi estadual que já leva mais de 15 anos, ou, lamentavelmente, estaremos fadados a seguir esse roteiro de terror que leva milhares de famílias baianas ao luto pela perda de um ente querido. E, sinceramente, não dá mais para aceitarmos que a violência tome conta das cidades baianas desta forma.

Perdas recentes como a de Viviane Soares e Maria Célia no Curuzu, do jovem Ryan no Vale das Pedrinhas e tantas outras vítimas de ‘balas perdidas’ não podem ser mais toleradas. É muito triste ter uma política de segurança pública de muita violência e pouca preservação de vidas. Precisamos trilhar um novo caminho para Bahia dando um basta neste derramamento de sangue que mancha nosso Estado.

Isabela Sousa é líder do Movimento Acredito, ativista pela redução das desigualdades, presidente municipal do Cidadania e graduanda em Direito.

Blog do Gusmão Neto

Última do Blog
Brasil do atraso: mercado da cannabis está em alta e poderia estar gerando riqueza

Artigos

Dia da Advocacia: Celebrando a Justiça e o Compromisso com a Sociedade
Entrevistas
Por Luís Antônio de Lima Andrade
Sua saúde e bem-estar estão diretamente ligados à sua tireoide