Por Gusmão Neto
O secretário de Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas Boas, voltou a criticar duramente a gestão do presidente Jair Bolsonaro no combate à pandemia do Coronavírus. Fábio, que é médico doutor em cardiologia, disse que Bolsonaro é o maior inimigo do Sistema Único de Saúde (SUS). A declaração aconteceu na manhã desta quinta-feira (08), quando prestigiava um evento do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde (Cosems). No ato, Vilas Boas elogiava a presidente do colegiado, Stela Souza, pela condução do conselho e pela iniciativa de homenagear o secretário municipal de Saúde de Andorinha e diretor do Cosems, Pablo Alves, que foi assassinado em sua casa.
“A gente vive para se firmar na eternidade, como é o caso de Stela, dos ex-presidentes do Cosems e o secretário Pablo Alves, que tive a oportunidade de conviver. Esses se firmam na eternidade aqui nessa galeria pelo trabalho em defesa da saúde. Pablo deixou a marca dele, por isso essa homenagem que esta sendo feita, justa e merecida”, disse Fábio Vilas Boas, ao contextualizar que Bolsonaro é oposto disso.
O secretário estadual corrigiu a fala de um dos presentes, que disse que o país vive uma guerra contra um inimigo invisível. “Eu acho que o inimigo não é invisível. O vírus, de fato a gente não enxerga, a gente vê as consequências. Mas ele não é o maior inimigo. O maior inimigo é visível, tem endereço e está sentado na cadeira do Palácio do Planalto. Esse é o maior inimigo que SUS tem no Brasil. Um genocida, irresponsável, mal educado, desqualificado para ocupar a cadeira que ocupa hoje e envergonha a todos nós brasileiros, que nos envergonha internacionalmente”, disparou
Julgado igualmente ao nazismo e crimes de guerra
Fábio Vilas Boas prevê que a atitude de Bolsonaro “será julgada posteriormente da mesma forma como os crimes de guerra e o nazismo. Eu não tenho dúvida que, quando passar essa pandemia, o presidente do Brasil será julgado, assim como as pessoas que estiveram ao seu lado, responsáveis por milhares de mortes a mais que aconteceram no Brasil por conta de uma condução equivocada”.
Falta de vacina constrange membros da CIB
Em sua fala, o secretário disse ainda que a falta de vacinas impõe a ele, à presidente Stela e a todos os membros da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) um constrangimento a cada encontro necessário para deliberar sobre quais grupos irão, ou não, receber o imunizante naquela remessa de doses.
“Infelizmente colocaram sobre os meus ombros e os ombros de Stella e de outros secretários que compõem a CIB, a tarefa de definir quem vai tomar a vacina e quem não vai. Esse é um peso e uma responsabilidade muito grande, que não deveria existir se houvesse vacina suficiente. Mas por irresponsabilidade, imprevisibilidade e falta de vontade para as coisas acontecerem, não temos vacina suficiente hoje e continuamos tendo o constrangimento de apontar quem vai receber e quem não vai receber, num processo constrangedor, como se fôssemos os donos da vida e da morte. O bom é que esse é um sistema democrático e de pactuação. As decisões nunca são monocráticas”, desabafou o secretário.
