Por Gusmão Neto
Considerado um dos secretários mais fortes do governo estadual, Fábio Vilas–Boas (Saúde) mostrou ao público a face de quem não está apto a participar de um grupo que se diz comprometido com as pautas sociais. O médico cardiologista nunca teve a simpatia como uma característica. Na verdade, quem convive com ele sabe que o gestor petista não é afeito aos bons modos de tratamento. Nos corredores da Secretaria de Saúde do Estado, o comentário é o mesmo: “Tá vendo! Um dia a casa cai. Demorou pra isso acontecer”. Mas o comportamento dele sobre a chef de cozinha deixou os baianos horrorizados, porque além de xingar a empresária de “vagabunda”, ele ameaçou usar sua influência política para depreciar a imagem de seu estabelecimento em sites de imprensa que ele supostamente possui relação.
Políticos de todas as correntes e ideologias, seja da base ou da oposição, se posicionaram duramente contra a atitude preconceituosa, machista e inaceitável do chefe da Saúde da Bahia. Félix Mendonça Júnior puxou o coro batendo no secretário e foi seguido por figuras como Lídice da Mata, Marta Rodrigues, Olívia Santana, Marcelle Moraes, Sandro Régis, Roberta Caires, Fabíola Mansur, e milhares de internautas que não toleraram a atitude.
O comentário unânime é que o governador Rui Costa, que tem uma avaliação positiva junto aos baianos, e está consolidado como uma das grandes lideranças de esquerda do país, tem o dever de punir o seu auxiliar, que escancarou o seu perfil bolsonarista de lidar com as pessoas. Não cabe mais na política posturas impróprias, achavascadas, tiranas, estólidas, selvagens, ásperas, ignorantes, quadrúpedes (com todo respeito aos animais), intratáveis. Não é esse tipo de coisa que deve estar tocando a vida dos baianos. Que não caia em esquecimento.
No governo a expectativa é grande com relação ao tipo de punição que o secretário sofrerá. Fala-se em demissão. Mas dessa vez, ironicamente, a única coisa que pode salvar o secretário da queda é o coronavírus. Porque, para Rui, seria muito difícil mexer no comando da Saúde agora em plena pandemia, a não ser que ele tenha uma excelente carta na manga para substituição.
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