“Quando eu chego em algum lugar com o microfone da emissora nas mãos e só por ser uma mulher negra perguntam onde está a repórter, isso dói tanto quanto o murro que levei no rosto”. O desabafo da jornalista Tarsilla Alvarindo, na Roda de Conversa da 4ª Jornada de Mulheres do Sinjorba, na tarde de sexta-feira (10), no auditório da Associação Bahiana de Imprensa (ABI-BA), revelou que o racismo é um agravante a mais quando o tema é violência de gênero.
No dia que Tarsilla foi agredida durante uma reportagem sobre acidente de trânsito, ela integrava uma equipe da TV Record (atualmente a profissional trabalha na TV Bahia) com mais dois colegas homens. Apesar disso, justamente ela, que tentava amenizar a situação tensa gerada pela presença dos agressores, foi o alvo da fúria. E, o que é mais grave, diante do olhar omisso de policiais. “Se toda a confusão não tivesse sido mostrada, ao vivo, por outra emissora, teria sido minha palavra contra a do agressor”, reforçou a jornalista, que agradeceu o apoio imediato recebido do Sinjorba, Fenaj, ABI e toda uma rede de solidariedade.
A jornalista Alana Rocha apresentou denúncias mostrando o quanto a transfobia também agrava a violência de gênero. Ela já foi vítima de várias agressões pela sua condição de mulher trans, com repercussão na sua atuação profissional. Tanto na TV Aratu, onde trabalhou em Salvador, quanto na cobertura do noticiário na Câmara Municipal de Riachão do Jacuípe, sua cidade natal, Alana enfrenta ameaças e agressões transfóbicas. Ela também agradeceu ao Sinjorba pelo acolhimento e oportunidade de denunciar a perseguição, que já lhe rendeu alguns processos judiciais.

